Elaine Cristina Vaz voltou ao banco dos réus quase 11 anos após o assassinato do ex-prefeito Geraldo Nicolau Filho; dois júris anteriores haviam sido anulados pela Justiça e os demais envolvidos no caso também já foram julgados
Quase 11 anos depois do assassinato do ex-prefeito de Estrela do Norte Geraldo Nicolau Filho, conhecido como Curica, a Justiça voltou a se pronunciar sobre um dos capítulos mais longos e controversos do caso. A ex-primeira-dama Elaine Cristina Vaz foi condenada a 12 anos de prisão no terceiro julgamento realizado pelo Tribunal do Júri, concluído na quinta-feira (13), em Uruaçu.
O novo júri foi marcado por uma circunstância incomum: Elaine já havia sido submetida duas vezes ao julgamento popular pelo mesmo episódio, com resultados opostos. Em 2023, foi condenada a 14 anos e seis meses de prisão. No ano seguinte, voltou ao banco dos réus e acabou absolvida. As duas decisões, porém, foram posteriormente anuladas pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), que reconheceu irregularidades relacionadas à composição e à imparcialidade do Conselho de Sentença.
Desta vez, o julgamento deixou Mara Rosa, onde ocorreram os fatos e onde foram realizados os dois primeiros júris, e foi levado para Uruaçu. Coube a um novo grupo de jurados analisar a acusação formulada pelo Ministério Público e os argumentos apresentados pela defesa.

Elaine não era apontada como autora dos disparos que mataram Curica. A acusação sustentou, no entanto, que ela participou da ação que culminou no homicídio, acompanhando Wellington José de Almeida até o motel e permanecendo no local durante a abordagem à vítima. A tese foi submetida aos jurados, que decidiram pela condenação.
Crime ocorreu em motel de Mara Rosa
Curica foi morto a tiros em 1º de outubro de 2015, no Motel Glamour, localizado no trevo de acesso a Mara Rosa. O crime ganhou ampla repercussão no Norte de Goiás por envolver pessoas ligadas à política de Estrela do Norte.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Curica mantinha um relacionamento extraconjugal com Anésia Xavier Peres Almeida, cunhada do então prefeito de Estrela do Norte, Wellington José de Almeida.
A acusação sustenta que familiares souberam que Curica e Anésia estavam juntos no motel e passaram a se movimentar para confirmar a informação e flagrar o casal.
O Ministério Público atribuiu os disparos a Wellington José de Almeida, então prefeito e marido de Elaine, e ao irmão dele, Waldivino José de Almeida. A participação atribuída a Elaine estaria relacionada à ação que antecedeu e acompanhou o homicídio, e não à execução dos tiros.
Entre os elementos analisados ao longo do processo estão depoimentos, registros relacionados à entrada de veículos no motel e imagens do sistema de segurança do estabelecimento.
Demais envolvidos já foram julgados
O processo relacionado à morte de Curica teve desdobramentos distintos para os demais denunciados.
Waldivino José de Almeida foi condenado, em 2021, a 20 anos de prisão. Já Wellington José de Almeida foi condenado, em 2024, a 15 anos de prisão.
Uma quarta denunciada, Renata Pereira Rezende, então tesoureira da Prefeitura de Estrela do Norte, foi absolvida por atipicidade da conduta.
Segundo o processo, Renata teria ido ao motel antes do crime, a pedido de Elaine, para confirmar se Curica e Anésia estavam no local. O Tribunal de Justiça de Goiás entendeu que essa conduta, por si só, não configurava crime.
Condenação, absolvição e novos julgamentos
O percurso judicial de Elaine se tornou uma das principais particularidades do Caso Curica.
No primeiro julgamento, realizado em 2023, ela foi condenada a 14 anos e seis meses de prisão. A defesa sustentava a ausência de elementos suficientes para responsabilizá-la pelo homicídio.
Em 2024, Elaine voltou ao Tribunal do Júri e, desta vez, foi absolvida.
Nenhum dos dois veredictos, contudo, permaneceu válido. Os julgamentos acabaram anulados pelo TJ-GO após o reconhecimento de irregularidades relacionadas à composição e à imparcialidade dos respectivos Conselhos de Sentença.
A anulação abriu caminho para um terceiro julgamento, agora realizado em Uruaçu e diante de um novo corpo de jurados.
No júri concluído na quinta-feira (13), Elaine Cristina Vaz foi novamente considerada culpada e condenada a 12 anos de prisão.
O novo veredicto acrescenta mais um capítulo a um processo judicial que atravessa mais de uma década e que já passou por condenação, absolvição, anulações e três julgamentos populares.
Elaine foi defendida pelos advogados Magno Rocha de Vasconcelos, de Uruaçu, e Thales José Jayme, criminalista de Goiânia.





























