Comandante da 11ª Companhia Independente Bombeiro Militar, em Uruaçu, ressalta que treinamento, disciplina e rapidez nas decisões são determinantes para salvar vidas e destaca a valorização da carreira em Goiás
Celebrado anualmente em 2 de julho, o Dia do Bombeiro Brasileiro representa uma homenagem aos homens e mulheres que dedicam suas vidas à proteção da sociedade. A data faz referência à criação do primeiro Corpo de Bombeiros do país, em 1856, e reforça a importância de uma profissão que vai muito além do combate a incêndios, abrangendo atendimentos pré-hospitalares, operações de busca e salvamento, resgates terrestres e aquáticos, ações de defesa civil e prevenção de acidentes.
À frente da 11ª Companhia Independente Bombeiro Militar (CIBM), sediada em Uruaçu, a major Miriam afirma que a formação de um bombeiro começa muito antes do primeiro atendimento à população. Segundo ela, uma das primeiras lições ensinadas durante o curso de formação é compreender que, em uma emergência, cada segundo pode fazer a diferença entre a vida e a morte.
“Uma das primeiras instruções que a gente aprende é a lidar com o tempo. Para o bombeiro militar, o tempo é crucial. Existe o tempo de ouro para resgatar uma vida, e ele precisa ser muito bem trabalhado”, destacou.
A comandante explica que muitas pessoas acreditam que a profissão exige apenas coragem ou excelente condicionamento físico. Embora essas características sejam importantes, ela ressalta que o verdadeiro diferencial está na preparação técnica, no treinamento constante e no comprometimento com a missão.
“Saber nadar é importante e isso é aperfeiçoado durante a formação. A coragem também é desenvolvida. À medida que você treina, estuda e busca qualificação, ela vem junto. Mas, acima de tudo, o ser humano precisa ser compromissado, porque a missão realmente é muito grande.”
A carreira de Bombeiro Militar exige aprovação em concurso público, exames físicos e psicológicos, além de um rigoroso curso de formação, no qual os futuros militares são preparados para atuar em ocorrências de alta complexidade, seguindo protocolos técnicos e operacionais. A capacitação continua ao longo da carreira, permitindo especializações em áreas como salvamento em altura, mergulho, combate a incêndios florestais, produtos perigosos, resgate veicular e atendimento pré-hospitalar.
Outro aspecto destacado pela major Miriam é o preparo emocional. Segundo ela, o impacto das primeiras ocorrências é inevitável, principalmente diante de vítimas gravemente feridas ou de situações que envolvem intenso sofrimento humano. No entanto, o treinamento e a experiência tornam o profissional cada vez mais resiliente.
“Tem gente que diz que não consegue ver sangue. Realmente, as primeiras ocorrências assustam. Quando nos deparamos com uma fratura exposta ou uma grande hemorragia, isso causa impacto. Mas, à medida que você compreende os procedimentos de salvamento e ganha experiência, torna-se cada vez mais resiliente e preparado para exercer a profissão.”
Durante a entrevista, a comandante também abordou a valorização da carreira em Goiás. Segundo ela, o estado oferece uma das melhores estruturas de remuneração e desenvolvimento profissional para bombeiros militares no país.
“Em Goiás somos muito bem reconhecidos financeiramente, inclusive à frente de estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, temos espaço para construir uma carreira sólida e com oportunidades de crescimento dentro da corporação.”
Para a major Miriam, ser bombeiro militar significa assumir diariamente o compromisso de proteger vidas, preservar patrimônios e atuar em favor da segurança da população. Uma missão que exige disciplina, preparo permanente, equilíbrio emocional e a capacidade de tomar decisões rápidas nos momentos em que o tempo se torna o recurso mais valioso para salvar uma vida.





























