Mãe e padrasto são indiciados por envenenamento de irmãos em Alto Horizonte; menina morreu

A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito que investigava um caso de envenenamento envolvendo dois irmãos, em Alto Horizonte, no norte do estado. O padrasto e a mãe das crianças foram indiciados por crimes graves: feminicídio triplamente qualificado, pela morte da menina, e homicídio tentado triplamente qualificado, contra o outro irmão, que sobreviveu após atendimento médico.

De acordo com as investigações, o crime ocorreu no último dia 27 de abril e teve como meio o uso de terbufós, substância conhecida popularmente como “chumbinho”. A polícia identificou que o veneno foi misturado ao arroz consumido pela família. Uma panela com o alimento foi encontrada na geladeira contendo grânulos escuros suspeitos, posteriormente confirmados por perícia como sendo o produto tóxico.

Ainda durante a apuração, os investigadores localizaram no lixo da residência restos do mesmo alimento contaminado, além de quatro gatos mortos dentro da casa. Laudos médico-veterinários confirmaram que os animais também morreram intoxicados pelo mesmo veneno.

Os exames periciais apontaram que as duas crianças ingeriram a substância. A menina não resistiu e morreu em decorrência de síndrome colinérgica causada pelo envenenamento. Já o irmão foi socorrido e sobreviveu graças ao atendimento da equipe médica do Hospital Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu.

Em depoimento, o padrasto afirmou ter preparado a refeição, versão que foi confirmada por imagens de câmeras de segurança instaladas na residência. Segundo a Polícia Civil, os registros também mostram que ele teria evitado consumir o alimento contaminado, o que explicaria o resultado negativo em exame toxicológico.

A mãe das crianças também foi indiciada, neste caso por omissão imprópria, quando a pessoa tinha o dever legal de agir para evitar o crime, mas não o fez. Conforme a investigação, ela já suspeitava do comportamento do companheiro, inclusive temendo ser envenenada, e teria adotado medidas como obrigá-lo a provar os alimentos antes de consumi-los. Mesmo diante dos sinais, manteve a convivência, o que, segundo a polícia, expôs os filhos à situação de risco.

Durante os interrogatórios, ambos negaram ter envenenado o alimento. A mãe, no entanto, admitiu que falhou ao não interromper a relação, reconhecendo que poderia ter evitado a tragédia.

O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário, mas as investigações ainda não estão totalmente encerradas. A Polícia Civil informou que a análise dos aparelhos celulares da família — quatro ao todo — ainda está em andamento, devido ao grande volume de dados. Novas provas podem surgir a partir desse material.

A corporação reforçou que o trabalho investigativo foi conduzido com base em critérios técnicos e jurídicos, com o objetivo de garantir uma apuração rigorosa e dar resposta à sociedade.

A Polícia Civil orienta que informações que possam auxiliar em investigações sejam repassadas de forma anônima pelo Disque Denúncia 197.

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